02 janeiro 2022

Pau que nasce torto morre torto?


"Não existe determinismo, o homem é livre, o homem é liberdade."

Jean-Paul Sartre


Às vezes eu fico me perguntando qual o ponto de origem de um determinado dito popular. E em alguns casos fico com uma desconfiança (quase certeza), que se trata de um meme de controle. 

Vocês já tiveram essa sensação?
O determinismo brutal do ditado "pau que nasce torto morre torto", é de uma covardia importante. Pois, paremos para pensar, ele diz que não temos a capacidade de mudar as características com as quais nascemos.

Uma vez fui questionado por um conhecido se eu acreditava realmente na capacidade de mudança do ser humano, e essa pergunta ocorreu num contexto em que falávamos sobre alguns projetos que fiz em presídios, e eu respondi que obviamente eu acreditava, afinal não seria possível ser psicólogo e atuar na emancipação humana no sistema prisional sem acreditar na capacidade de reinventar-se que cada ser humano tem.

Paremos para pensar nos detalhes da vida cotidiana, em quantas vezes vemos variantes desse pensamento sentenciando o destino das pessoas a um determinismo sem apelação.

Isso é covarde, injusto e promotor de sofrimento. Nossa sociedade precisa ponderar que pessoas somente perdem a capacidade de emancipar-se, de ultrapassar suas limitações e superar suas mazelas quando morrem, até lá muito pode ser feito.

Pensando em causa e efeito parece que acabamos sempre acreditando que nada muda, mas quando projetamos desejos, aspirações e metas ganhamos um fôlego adicional, e em busca de um propósito abrimos as possibilidades de reinvenção íntima.

Por enquanto houver vida há capacidade de superação. Faz sentido? 

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