27 dezembro 2021

A fecundidade do Caos

Quem deita sua cabeça no Caos, sonha com o Nada? Caos como sinônimo de desordem parece um empobrecimento de um conceito tão poderoso e fértil, da mesma forma que Nada como sinônimo de ausência de alguma coisa é uma agressão a uma ideia que tem a amplitude do Universo (ou até maior que ele quem sabe?).

Uma vez pensando em uma frase que ouvi de alguém que respeito muito que dizia "ninguém faz nada do Nada", fiquei me perguntando se isso fosse verdade, se o seu oposto não representaria uma mentira, ou seja, todo mundo faz tudo a partir de alguma coisa, seria uma mentira? Mas parece que não.

Mas então o que seria certo???

Parece que tanto fazemos a partir de algo já existente, como criamos a partir de um campo do não manifesto de possibilidades infinitas (que eu chamo de Nada com "N" maiúscula). Não estou aqui indo para o campo da Teologia, isso ainda vai acontecer, mas agora a preocupação é bem mundana mesmo.

Ambas afirmativas me levam a pensar numa mesma "origem", se sempre fazemos algo a partir de alguma instância, questiono seriamente se essa instância primordial não seria o Nada, e se nós não seríamos os artesãos da realidade tecendo no Caos os fios que puxamos do Nada. Gosto desse pensamento.

Artesão do Caos tecendo com os fios do Nada!

“No edifício do pensamento não encontrei nenhuma categoria na qual pousar a cabeça. Em contrapartida, que belo travesseiro é o Caos!”
Emil Cioran


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