27 dezembro 2021

Absurdo, puro absurdo!

Albert Camus e a verdadeira peste - Estado da Arte
Albert Camus * 07/11/1913 + 04/01/1960

“O papel do escritor, ao mesmo tempo, não está separado dos deveres difíceis. Por definição, ele não pode se colocar, hoje, a serviço daqueles que fazem a história: ele está a serviço daqueles que a sofrem. Do contrário, eis que estará só e privado de sua arte. Todos os exércitos da tirania, com seus milhões de homens, não o libertarão da solidão, mesmo e sobretudo se ele concorda em caminhar junto deles. Mas o silêncio de um prisioneiro desconhecido, abandonado às humilhações no outro extremo do mundo, ao menos basta para retirar o escritor do exílio cada vez que ele consegue, em meio aos privilégios da liberdade, não se esquecer desse silêncio e transmiti-lo, repercutindo-o por meio da arte." - Extraído do discurso que Albert Camus fez quando do recebimento do Prêmio Nobel de literatura em 1957 (2 anos antes de sua morte)

Gosto de pensar esse "silêncio de um prisioneiro desconhecido" como uma metáfora para cada um de nós nas mazelas de nossas vidas cotidianas. Entregues às nossas "fazeções", ignorantes de nossas ignorâncias, vivendo vidas limitadas e limitantes.

Camus ao nos apresentar o absurdo do mundo, nos acorda da inocência de quem espera descobrir o sentido da vida, e nos coloca na produção desse mesmo sentido. Poucos conceitos me impactaram (e emanciparam) tanto quanto o de absurdo que ele nos legou.

Impossível dormir inocentemente após isso esperando o sentido cair dos céus. Simplesmente impossível. Se não fizermos sentido, sentido não há de haver!

Finalmente voltando à passagem, quem seria esse escritor que não cada um de nós, mas no lugar de escrever livros escrevemos vida, as nossas vidas. Qual a qualidade de sua produção? Vale a pena a leitura? E especialmente se não vale, o que fazer a respeito?

Escrever vida, viver sentido: EXISTIR . . .


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