Decidi iniciar a incursão pelo mundo da "sabedoria popular" para problematizar essa pérola do niilismo. Essa é uma daquelas expressões que possui o que eu chamo de, caráter analgésico, pois remete a uma aceitação resignada daquilo que estiver acontecendo na vida de quem a emprega.
Não quero aqui desdenhar da capacidade de ressignificação que todos nós possuímos, e que nos ajuda a encontrar elementos de valor em situações muitas vezes miseráveis, mas sim de uma crítica a uma resignação burra e rasa, a uma realidade que deveria sim ser confrontada, e não apenas aceita docilmente.
Alguns poderão refutar dizendo que é muito melhor encontrar alguma esperança em um pretenso significado positivo que possa ser atribuído a algo negativo que nos ocorra, como se a alternativa de encarar a realidade tal e qual ela é pudesse nos parecer insuportável.
Meu ponto é: se encararmos cada evento da realidade de uma forma honesta e existencialmente engajada, nos revoltaremos com aquilo que mereça nossa revolta, ressignificaremos o que apresente possibilidades de ressignificação, e não nos anularemos em um estúpido "jogo do contente" digno de uma síndrome de Poliana.
Viver é proposição ativa, existencialmente comprometida com nossa emancipação e com o sentido da experiência à mão para nossa existência como um todo.
E você acha que existem males que vêm para bem? Como esses males chegam às nossas vidas? Se somos nós que os "permitimos" não seria o caso de sermos mais cuidadosos? Tantas questões . . .
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